Cesar vallejo
BALADA DA VIDA EXTERIOR
E crianças crescem com olhos fundos, Que nada sabem, crescem e logo morrem, E toda a gente segue o seu caminho.
E frutos doces saem dos amargos E caem de noite, pássaros mortos, E ali ficam uns dias e apodrecem.
E o vento sopra sempre, e sempre nós Ouvimos, dizemos muitas palavras E sentimos prazer, membros cansados.
E estradas cortam campos, e lugares Há-os aqui e ali, com luzes, árvores, lagos, E ameaçadores, secos, já mortos...
Quem os ergueu? Para quê? Nenhum é igual Aos outros. E são tantos, não têm fim... Que mão nos manda riso, choro, pavor?
De que serve tudo isso e estes jogos, A nós, já grandes e eternamente sós E sem buscar um fim nesta jornada?
De que serve ter visto tanta coisa? E afinal muito diz quem só diz «noite», Palavra de onde escorre triste melancolia
Como mel espesso de favos vazios.
TRAD.: JOÃO BARRENTO Rosa Do Mundo 2001 Poemas para o Futuro
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